quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Trecho do livro 'As Crônicas de Nárnia - Volume Único' (Pág. 279)


Crônica: O cavalo e seu menino. Capítulo 14: Lição de sabedoria para Bri.

            "Aravis abriu o portão, cedendo passagem aos estrangeiros. Dois soldados entraram em primeiro lugar, postando-se com alabardas nos dois cantos. Entraram em seguida um arauto e o trompetista.
            - Sua Alteza Real, o príncipe Cor da Arquelândia, solicita uma audiência com a dama Aravis – disse o arauto. E aí fizeram reverência ao príncipe que entrava. Toda a comitiva retirou-se, fechando o portão.
            O Príncipe fez uma reverência, bastante desajeitada para um príncipe. Aravis respondeu à maneira dos calormanos e o fez com capricho, pois aprendera isso na escola. Só então reparou no príncipe.
            Um simples rapazinho. Sem chapéu, tinha os cabelos louros envolvidos num aro de ouro. Sua primeira túnica era de finíssima cambraia, e a de baixo era de um vermelho-reluzente. Trazia a mão esquerda enfaixada.
Aravis olhou duas vezes antes de falar, espantada:
            - Não é possível! É Shasta!
            Shasta ficou logo muito vermelho e começou a falar rapidamente:
            - Olhe aqui, Aravis, espero que não pense que essa coisa toda foi feita para impressioná-la; ou que fiquei diferente ou besta a esse ponto. Queria vir com minhas roupas de sempre, mas botaram fogo nelas e meu pai me disse...
            - Seu pai? – estranhou Aravis.
            - Pelo jeito, o rei Luna é meu pai. Dava pra pensar... Corin é a minha cara. Somos gêmeos, entende? E meu nome não é Shasta, é Cor.
            - Cor é um nome mais bonito que Shasta – disse Aravis.
            - Nomes de irmãos são sempre assim na Arquelândia. Como Dar e Darin.
            - Shasta... quero dizer, Cor – falou Aravis. – Quero lhe dizer uma coisa, e tem de ser agora. Desculpe por ter sido pedante. Mas pode acreditar que fiquei arrependida antes de saber que você era um príncipe. Honestamente! Foi quando você enfrentou o Leão.
            - Aquele Leão não tinha a intenção de matá-la – disse Cor.
            - Já sei disso.
            Por um momento os dois ficaram calados e sérios, certos de que já sabiam tudo sobre Aslam.
            Aravis lembrou-se da  mão enfaixada do amigo:
            - Você participou de uma batalha? Isso aí é um ferimento de guerra?
            - Só um arranhão – respondeu Cor, usando pela primeira vez um certo tom senhorial. Mas daí a pouco caiu na risada: - Se quer mesmo saber a verdade, não é um ferimento de guerra coisa nenhuma; tive um pouco de pele arrancada; isso acontece a qualquer um, mesmo que não chegue perto de uma batalha.
            - De qualquer forma você entrou na batalha. Deve ter sido formidável.
            - Não é o que você pensa – replicou Cor."

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