"Susana olhou para ele muito séria: o professor não estava brincando.
- Mas como é que pode ser verdade, professor?
- E por que você duvida?
- Bem – disse Pedro -, então, se é verdade, por que não encontramos sempre o tal país fantástico ao abrir a porta do guarda-roupa? Não havia nada lá quando olhamos; nem Lúcia teve coragem de fingir que havia.
- E isso prova o quê? - perguntou o professor.
- Ora, ora, se as coisas são verdadeiras, estão sempre onde devem estar.
- Tem certeza, Pedro?
Ele não foi capaz de responder.
- Mas ela não teve tempo! – disse Susana. – Mesmo que esse país existisse, Lúcia não teve tempo de ir lá. Veio correndo atrás de nós, logo que saímos da sala. Demorou menos de um minuto, e ela diz que passou horas lá.
- Pois é exatamente isso que me faz acreditar na história – disse o professor. – Se, de fato, existe nesta casa uma porta aberta para um outro mundo (e devo dizer que esta casa é muito estranha, e eu mesmo mal a conheço), e se Lúcia conseguiu chegar a esse mundo, não ficaria nada admirado se ela houvesse encontrado lá um tempo diferente; assim, podia muito bem acontecer que, embora ela ficasse muito tempo lá, a gente não percebesse isso no tempo do nosso mundo. Lúcia, na idade dela, não deve saber disso. Logo, se estivesse fingindo, deveria ficar escondida durante mais tempo, para depois contar a mentira.
- Mas, professor, acha mesmo que pode existir outro mundo, em qualquer lugar, tão pertinho? Será possível?
- É muito possível – disse o professor, tirando os óculos para limpá-los. – Eu gostaria de saber o que estas crianças aprendem na escola! – murmurou para si mesmo.
- Mas o que devemos fazer no momento? - perguntou Susana, que sentia a conversa sair dos eixos.
- Minha querida Susana – disse o professor, fitando ambos com um olhar penetrante -, há um plano ainda não sugerido por ninguém, e que talvez valha a pena experimentar.
- Qual?
- Cada um trate de sua própria vida."
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